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Seremos cobaias da tecnologia? A visão de futuro da LG é meio assustadora – 06/01/2020

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Se você acha que já somos reféns da tecnologia por causa do nosso constante vício em celulares e outros aparelhos, calma que ainda não viu nada. A LG mostrou nesta segunda-feira (6) em Las Vegas, durante sua conferência na CES (Consumer Electronics Show), que a tecnologia pode ficar ainda mais assustadora. E, muito provavelmente, nós vamos querer isso.

A ideia da LG para o futuro é a seguinte: “anywhere is home” (algo como “qualquer lugar é a sua casa”). Isso significa que a tecnologia te segue por onde você for. Mais do que isso: a tecnologia pode fazer você até ser cobaia e ir experimentando com você.

Tudo isso faz parte da noção do que a inteligência artificial pode proporcionar para nós nos próximos anos. No palco, I. P. Park, presidente e chefão de tecnologia da LG, deixou claro que estamos só no começo da onda de inovações —se vamos gostar ou não de algumas delas, é outra história.

Quatro níveis de IA

Na visão deles, existem quatro níveis de inteligência artificial e nós estamos apenas nos primeiros. Para ficar mais fácil para você, vou resumir rapidamente o que seria cada um:

  • Nível 1 – Eficiência: É o que vivemos agora com assistentes como a Alexa e o Google Assistente. Esse nível facilita interações e envolve também, por exemplo, um ar condicionado que liga ao detectar pessoas na sala. Tudo é mais eficiente.
  • Nível 2 – Personalização: A máquina começa a acumular dados e aprender padrões para usar em futuras interações. A inteligência artificial tem uma memória própria e consegue diferenciar você de outros usuários por meio da voz ou face.
  • Nível 3 – Raciocínio: Esse nível precisa de muitos dispositivos inteligentes colaborando entre si para estabelecer relações de causa e efeito. É uma inteligência coletiva do sistema e as pesquisas estão sendo iniciadas agora.
  • Nível 4 – Exploração: A máquina tem um aprendizado experimental por tentativa e erro para formular hipóteses. Nas palavras da LG, vira um “laboratório científico pessoal” –testa novas ideias para ver o que funciona para você. A IA é o cientista e nós, as cobaias.

Os primeiros níveis são até aceitáveis, de acordo com os exemplos dados. O número um já estamos vivendo com os assistentes e o segundo é para onde estamos caminhando. Exemplos dados para isso são um aspirador robô que aprende com os erros para não ficar preso nos cantos, ou um assistente que sabe que você gosta de suco de laranja de manhã, encomendando e preparando sem você pedir.

Tá, tem a polêmica dos nossos dados serem entregues para assistentes e suas respectivas companhias de tecnologia, mas disso sabemos bem. Agora os dois níveis seguintes levam nossa relação com a tecnologia a um outro patamar.

O nível três, por exemplo, significa que um dispositivo está conversando com o outro. O papo? Seus dados, que vão sendo trocados e usados para que a máquina saiba exatamente o que você está sentindo.

Precisamos repensar e reimaginar eletrônicos. Antes eram dispositivos únicos, agora são um sistema integrado
I. P. Park, presidente e chefão de tecnologia da LG

O exemplo dado na conferência foi de um assistente que tem os dados do seu sono e sabe que você dormiu mal. Quando você acorda, já tem soluções preparadas para se sentir melhor. Ou a assistente tem seus dados biométricos e percebe que você está nervoso. Aí te pergunta o motivo e oferece frases de incentivo —por exemplo, se você tiver uma apresentação importante no trabalho.

No nível quatro, nós ficamos reféns da tecnologia e seus testes experimentais. Os exemplos de uma inteligência artificial oferecendo uma rotina nova de exercício e analisando os dados para entender se foi bom para você, ou sugerindo uma roupa nova para ver se você curte, parecem ok. Mas, isso pode ser levado a níveis assustadores.

Imagine você sendo testado pela tecnologia em várias coisas, a todo instante. Podemos virar praticamente um rato de laboratório? Quem sabe, depende da calibração dos tais “testes”.

Vamos querer isso?

Bom, se alguém te dissesse que você vai ser a cobaia de uma inteligência artificial daqui a alguns anos, eu duvido que você diria: “que legal!”. Mas aposto como, no fim das contas, vai aceitar e curtir essa ideia.

Pense nas redes sociais. Se há 15 anos te dissessem que você teria que entregar todos seus dados e gostos para um site que te mantivesse conectado com amigos, mostrasse eventos e contasse com notícias, duvido que você toparia. Mas aqui estamos nós: sabemos que o Facebook tem tido muitos problemas para tratar nossas informações e ainda não deletamos nossas contas.

Por que, então, não vamos querer que uma inteligência artificial saiba que eu curto uma vitamina depois de um dia de bebedeira e deixe ela preparada de manhã para mim? Muitos de nós não gostamos de tomar decisões por si mesmos —se alguém ou algo, como um robô, fizer isso por nós, maravilha, né?

Dá até para dizer que temos preguiça de pensar —as máquinas que pensem por nós, portanto. Aliás, é nesse momento do texto que você tem que me parabenizar por ainda não ter dito: “isso é muito Black Mirror, meu!”.

* O repórter viajou a convite da LG

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