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Pedidos na porta e quarentena; como Rappi, iFood e afins reagiram ao covid – 23/03/2020

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Diminuição do contato humano, distribuição de álcool em gel, quarentena para colaboradores que voltarem de viagens internacionais e até esquema home office para a área administrativa. Esta apocalíptica lista traz algumas das medidas tomadas por empresas de entrega e transporte por aplicativo em tempos de coronavírus.

Em um país em quarentena, com restrição do transporte público e aglomerações, a tendência é que produtos e serviços circulem cada vez mais pelas cidades através dos profissionais da economia dos “bicos” oferecidos em plataformas digitais. Esse movimento já é percebido por algumas dessas empresas.

Rappi

O Rappi, startup colombiana de entrega sob demanda, por exemplo, informa que desde o início da crise percebeu um aumento significativo (cerca de 30%) no número de pedidos na América Latina.

As categorias que registraram um maior aumento foram farmácias, restaurantes e supermercados. “Acreditamos ser uma resposta dos usuários preocupados com o tema incerto e medidas de quarentena sendo tomadas em diferentes cidades”, afirma um porta-voz da empresa.

A plataforma avalia que as pessoas se sentem mais seguras fazendo um pedido via app e querem evitar concentrações massivas. Mas como garantir a segurança dos parceiros e clientes?

Segundo a empresa, ações pontuais em diferentes frentes ainda estão sob estudo, mas alguns protocolos já estão sendo adotados. “O primeiro é incentivar a opção de pagamento via aplicativo, para que exista o menor contato possível. Também estamos com uma política para disponibilização de álcool gel 70% e panos desinfetantes”, diz.

O Rappi orienta os clientes a usarem a opção “entrega sem contato” do app, em que o pedido pode ser deixado na porta ou a uma distância de dois metros do entregador.

Loggi

A Loggi, que leva produtos e documentos para clientes cadastrados, diz estar preparada para atender até três vezes mais o seu volume médio de entregas e suprir a previsão de maior demanda nos próximos meses em todas as regiões do país.

Entre as ações de proteção, a empresa afirma que está revendo seus processos para minimizar o contato humano e o risco de contágio do vírus em sua cadeia logística. E colocou à disposição do Ministério da Saúde sua capacidade de entregas “caso seja necessária a distribuição de testes, suprimentos e demais materiais relacionados ao covid-19”.

Além disso, criou um comitê interno envolvendo os líderes e o time de saúde e segurança para traçar um plano com os seguintes itens:

  • Prevenção e contingência
  • Campanhas de comunicação e orientação
  • Distribuição de álcool gel e luvas em suas principais agências
  • Restrição de viagens
  • Regime de quarentena aos colaboradores que voltarem de viagens internacionais
  • Proibição de reuniões pessoais com terceiros
  • Trabalho em sistema home office a todos os colaboradores da área administrativa
  • Triagem na entrada dos centros de distribuição, com medição de temperatura corporal e questionamento sobre saúde dos colaboradores

Uber e Uber Eats

Procurada, a Uber informou que, por ser uma empresa de capital aberto, não pode divulgar informações sobre aumento ou diminuição da demanda, e reiterou que os motoristas parceiros são profissionais autônomos que contratam a plataforma para a prestação de serviço.

A empresa ainda avalia se manterá a opção de viagens compartilhadas no país (nos EUA e no Canadá elas foram suspensas).

Em seu site, a Uber diz que é possível ocorrer a suspensão temporária de contas de usuários ou motoristas parceiros após a confirmação de que contraíram ou foram expostos ao covid-19 e que conta com a consultoria de um epidemiologista para embasar as orientações médicas.

“Qualquer motorista ou entregador parceiro diagnosticado com o covid-19 ou que tiver quarentena solicitada por uma autoridade de saúde pública receberá assistência financeira durante até 14 dias enquanto sua conta estiver suspensa. Já ajudamos motoristas parceiros em algumas áreas afetadas e estamos implementando essa medida rapidamente em todo o mundo”, comunica a empresa, que diz disponibilizar recursos também para ajudar os motoristas a manterem seus carros limpos. “Os motoristas parceiros que estiverem nas cidades mais afetadas terão prioridade sobre esses recursos.”

No caso do Uber Eats, a empresa informa que os clientes também têm a opção de solicitar que os pedidos sejam entregues na porta ou deixados na portaria ao toque do interfone.

iFood

Já o iFood informa ter criado um fundo solidário no valor de R$ 1 milhão, que será gerido pela ONG Ação da Cidadania, para dar suporte àqueles que necessitem permanecer em quarentena —não há detalhes ainda de como este fundo vai funcionar.

A empresa afirma ainda que desde segunda-feira (16) adotou um modelo de home office total para todos os seus escritórios.

“Reuniões internas e com fornecedores deverão ser realizadas por videoconferências. Todos os eventos presenciais, assim como viagens nacionais e internacionais, estão suspensas. Desde o início da pandemia, a empresa também disponibilizou álcool gel para todos os colaboradores e alterou a rotina de desinfecção de maçanetas, superfícies de contato e locais de alta circulação, aumentando a frequência de higienização”, informou.

Em relação aos consumidores, o iFood diz que está testando entregas com menor contato, pelo qual o usuário pode combinar com o entregador via chat onde deixar o seu pedido. Promete ainda anunciar em breve outras ações.

A empresa afirma que é cedo para dimensionar o impacto do covid-19 no mercado de food delivery brasileiro, mas que tem “flexibilidade para ajustar rapidamente suas operações de acordo com as necessidades do mercado”.

99 e 99Food

Dona da 99 e da 99Food no Brasil, a Didi Chuxing anunciou a criação de um fundo especial de US$ 10 milhões para apoiar os motoristas e entregadores parceiros que forem diagnosticados com a doença nos mercados onde atua — não apenas o brasileiro, portanto.

A opção de corrida compartilhada, que funciona apenas em Campinas e Belo Horizonte, continua ativa, mas com mudanças a partir de quinta-feira (19): serão limitadas a até duas pessoas (antes eram quatro) e os motoristas poderão bloquear a ferramenta, caso queiram.

A plataforma criou também uma página em seu site com orientações para andar com os vidros do carro abertos para arejá-lo e evitar aglomerações e o contato físico com o motorista, como um aperto de mãos. Há também alertas sobre notícias falsas.

Uma reunião seria realizada na última terça-feira (17) para definir outras ações em apoio aos motoristas parceiros, mas elas ainda não foram divulgadas. “Outras ações sobre bloqueio provisório de motoristas parceiros relacionados ao diagnóstico do coronavírus estão em estudo e serão comunicadas nos próximos dias”.

Airbnb

A quarentena alterou também a dinâmica do compartilhamento de lares para viagens. O Airbnb anunciou a ampliação, para o mundo todo, da sua política de causas de força maior para o coronavírus. Essa política permite que anfitriões e hóspedes cancelem reservas sem custos ou penalidades e se aplica a reservas feitas até 14 de março de 2020, com datas de check-in entre 14 de março de 2020 e 14 de abril de 2020.

A atualização abrange todos os países e regiões do mundo, com exceção das viagens domésticas na China continental.

O Airbnb disse ter disponibilizado ferramentas para ajudar anfitriões e hóspedes a lidar com as incertezas e atender às suas necessidades de cancelar ou adiar planos de acomodar pessoas ou de viajar em um sistema de reservas mais flexível, com reembolso de taxa de serviço em dinheiro ou cupom para a próxima viagem.

“Embora esteja claro que o coronavírus terá um impacto em todo o setor de viagens e turismo, acreditamos na retomada das viagens no médio prazo”, informou a empresa em sua página.

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