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Parece uma pedra, mas na verdade é cérebro de vítima de erupção do Vesúvio – 23/01/2020

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À primeira vista, parece uma rocha do tipo ônix de cor preta. Escura, maciça e com partes que refletem a luz como um vidro escuro. Seria uma bela e comum pedra, não tivesse ela sido parte de um cérebro que vitrificou após a erupção do Monte Vesúvio, na Itália, em 79 d.C. A descoberta foi publicada nesta quinta (23) na revista científica The New England Journal of Medicine.

O pedaço vitrificado de cérebro humano foi encontrado em Herculano, cidade próxima a Pompeia que atraía famílias ricas de Roma por ser costeira, ter ar limpo e clima ameno. A erupção do vulcão soterrou as cidades em 16 metros de cinzas e rochas vulcânicas, enquanto quase todos seus habitantes morreram por causa dos gases tóxicos da erupção.

O corpo foi encontrado na década de 1960, dentro de um quarto, sobre uma cama de madeira. Acredita-se que o antigo dono do cérebro era o guardião do Colégio dos Augustais, uma ordem de sacerdotes para cultuar Augusto, fundador e imperador do Império Romano que governou entre 27 a.C. e 14 d.C.

Um dos pesquisadores, o antropologista forense Pier Paolo Petrone, da Universidade de Nápoles Federico II, suspeitava que fosse um cérebro desde quando o viu pela primeira vez. “Em outubro de 2018, eu pude olhar esses restos e vi algo cintilante no crânio quebrado”, disse ele à AFP.

Para confirmar a suspeita, Petrone enviou a pedra para Piero Pucci, pesquisador do CEINGE, centro de biotecnologia avançada, em Nápoles. Pucci encontrou partes de proteínas e ácidos graxos de cabelos e tecido cerebral. A pedra escura fora, portanto, um cérebro. Então, como se deu a vitrificação?

Tal processo precisa de alta temperatura, mas que caia logo em seguida. Os pesquisadores acreditam que a erupção acabou com o clima ameno da cidade. Os gases emitidos aqueceram o ambiente em 520 ºC, o suficiente para a gordura corporal pegar fogo e os tecidos moles, como músculos e veias sanguíneas, evaporarem. O cérebro do guardião tornou-se um líquido viscoso e quente, e, com a rápida queda da temperatura em sequência, vitrificou.

Como continuação de sua pesquisa, Petrone pensa em fazer o processo inverso para encontrar o DNA do guardião. Ou seja, liquefazer a rocha. Se conseguir extrair o material genético, a pedra que fora um cérebro fará parte de estudo mais amplo sobre os antigos residentes de Herculano.

Isso porque foi publicado, também nesta quinta (23), no Antiquity Journal, uma pesquisa feita com costelas de 152 esqueletos encontrados em Herculano que indicam que os moradores não morreram de calor extremo, mas de gases tóxicos. Os pesquisadores também jogaram luz sobre as relações familiares e as origens das vítimas da erupção com base nos DNAs. Sete mulheres e três homens encontrados tinham ligações familiares e vieram do Oriente Médio, o que indica que eles talvez tenham sido escravos.

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