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Moradores de Ladário garantem alimentos e renda plantando no quintal

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RENDA

Moradores de Ladário garantem alimentos e renda plantando no quintal

Projeto da Embrapa auxilia na produção sustentável em área de proteção

29 DEZ 19 – 13h:45SÚZAN BENITES

Projeto  desenvolvido na região de Ladário traz a produção de alimentos, geração de renda e recuperação ambiental para os ladarenses. O objetivo do trabalho realizado pela Embrapa é promover a segurança alimentar dos moradores, através de um quintal agroflorestal, que atenda as restrições de uso de solo em uma Área de Preservação Ambiental (APA), ao mesmo tempo que gera produtos úteis aos moradores.

A pescadora Zilda dos Santos começou a colheita em seu Quintal Agroecológico em setembro e promete ter colheita farta com a chegada do período das chuvas. Moradora da APA Baía Negra, localizada em Ladário, a pescadora conta que a colheita realizada no quintal tem sido a fonte de renda para a família neste período de piracema. “Plantei maxixe logo que as águas começaram a baixar e, com a primeira chuva, eles cresceram e garantiram uma ótima colheita bem na época em que ninguém tinha a variedade para comercializar. Paguei minhas contas de outubro e novembro com a venda do maxixe. Agora nosso quintal está repleto de abóboras de vários tipos, mandioca, cana, maxixe, quiabo, melancia, batata doce, entre outras variedades, já quase no ponto de colheita”, comemora Zilda.

Com o projeto da Embrapa intitulado “Sistemas Agroflorestais biodiversos”,  pesquisadores auxiliam os moradores com as técnicas para manter as atividades em dia. Através da inciativa foi possível integrar espécies arbóreas e de lavoura em um mesmo espaço (sem uso de defensivos ou outros produtos químicos agrícolas), utilizando uma grande variedade de plantas para oferecer alternativas alimentares a uma população que sobrevive, tradicionalmente, por meio da pesca.

De acordo com o pesquisador da Embrapa Pantanal, Alberto Feiden, a primeira unidade demonstrativa de um quintal agroflorestal agroecológico implantado na região da APA ocorreu em maio de 2016 e envolveu cerca de 40 espécies vegetais entre anuais, semiperenes e perenes. “Por questões climáticas adversas (seca extrema e depois enchente), boa parte das espécies foram perdidas e a equipe técnica considerou a unidade como perdida. Mas a comunidade não desistiu, a partir das espécies que sobrevieram e produziram, replicaram o sistema dentro da sua lógica de produção em diversos quintais”, explicou o pesquisador. 

Com a continuidade por parte da comunidade, os pesquisadores seguiram com o desenvolvimento de práticas e adaptações de culturas para o local. “Teve início um intercâmbio de experiências e troca de sementes com os agricultores do Assentamento 72, também localizado no município de Ladário. Outra ação importante foi a caravana organizada com o apoio do Sebrae, que levou seis agricultores da APA e vários outros agricultores de Corumbá a participarem da Feira de Sementes Nativas e Crioulas e de Produtos Agroecológicos de Juti. Na ocasião ocorreu a troca de experiências, sementes e de mudas entre agricultores de todas as regiões do Estado”, concluiu Feiden.

Para dona Zilda a produção em seu quintal traz benefícios para toda a comunidade. “Estou muito feliz por estar produzindo produtos de qualidade, sem uso de insumos químicos, ajudando assim a manter a área da APA e a natureza preservada e podendo ofertar alimentos sadios para os moradores locais e até mesmo para os turistas que visitam nossa região”.

Produção diferenciada

De acordo com a chefe-adjunta de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Pantanal, Catia Urbanetz, existem algumas restrições por ser uma Área de Proteção Ambiental. “Esse sistema imita uma floresta – tanto no espaço em que as plantas ocupam quanto no seu ciclo de vida. A nossa atuação serve para orientar os moradores a utilizar esse local de acordo com a lei e com os limites impostos pela legislação. Mas com o uso sustentável dos pontos de vista social, econômico e ambiental, fazendo também com que a população obtenha segurança alimentar e alguma renda advinda do local, seja com o turismo ecológico ou com o fornecimento de alimentos”, completou.

A Embrapa Pantanal elabora junto aos moradores da APA Baía Negra o planejamento para as próximas ações do quintal agroecológico com base nas demandas da comunidade. Essas demandas incluem testes de armadilhas para as pragas identificadas até o momento, o desenvolvimento de boas práticas no manuseio de alimentos, a elaboração de um minhocário para os pescadores do grupo e uma possível produção de arroz nativo na região.

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