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Familiares denunciam condições insalubres de setor de tratamento de câncer

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Familiares denunciam condições insalubres de setor de tratamento de câncer

Hospital vive situação crítica, desde falha em elevadores à qualidade questionável da alimentação

17 JAN 20 – 16h:59ADRIEL MATTOS

Familiares de pacientes do Centro de Tratamento Oncológico Hematológico Infanto-juvenil (Cetohi) do Hospital Regional de Mato Grosso do Sul Rosa Pedrossian (HRMS) denunciaram as condições insalubres do setor que trata crianças e adolescentes com câncer. A denúncia foi enviada pelo aplicativo WhatsApp ao Correio do Estado nesta sexta-feira (17).

Segundo a denunciante, que não quis se identificar, baratas foram avistadas no Cetohi. “Bebês, crianças e adolescentes em tratamento contra o câncer ficam dentro de um hospital cheio de baratas, saindo do esgoto. Agora imagina o tanto de doenças que elas não levam para os quartos?”, contou.

Outra situação que está preocupando os pais ou acompanhantes é a proibição do uso do ar condicionado. O uso dos aparelhos estaria proibido. “O ar condicionado não pode ser ligado. Dizem que é por causa dos piolhos de pombo. Isso é desumano… o tratamento é muito sofrido, e com esse calor, os pacientes não conseguem nem se alimentar direito. Fora  que todo mundo sofre, de acompanhantes a funcionários”, diz a denunciante.

O Correio do Estado procurou a Secretaria de Estado de Saúde (SES) para obter um posicionamento sobre a denúncia, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.

Veja o vídeo:

https://www.youtube.com/watch?v=2S2wgcDbDHo

SITUAÇÃO

A situação crítica do HRMS vem sendo noticiada ao longo dos anos pelo Correio do Estado. Em 9 de dezembro, reportagem mostrou que elevadores da unidade estavam fora de funcionamento, obrigando a equipe carregar pacientes e até cadáveres pelas escadas. O hospital tem três elevadores de maca e dois sociais. Destes, dois elevadores de maca estavam parados, um deles há mais de cinco anos.

Outro problema que também gera reclamações é a comida servida aos pacientes. Reportagem do Correio do Estado em abril de 2019 relatou críticas sobre o cardápio, que ia desde comida crua, malcheirosa. Na época, o Hospital Regional informou em nota que as informações não procediam. “O cardápio é elaborado por nutricionistas responsáveis pela produção. A profissional realiza a elaboração de acordo com os tipos de dietas disponíveis para prescrição no HRMS”, dizia o texto.

Em dezembro do mesmo ano, a auxiliar de costura Zilda Rosa Viana, que acompanhava o marido Paulo Roberto da Silva Viana, reclamou à reportagem da falta de variedade do cardápio. “Está muito ruim. Ontem [segunda-feira, 9 de dezembro] no almoço foi arroz, feijão e ovo. No jantar, teve farofa de ovo. Não tem uma carne, não tem nada”, contou.

Enquanto enfrenta tantos problemas, o governo estuda entregar a administração do HRMS à iniciativa privada. O governo contratou consultoria do Hospital Sírio-Libanês, de São Paulo, para definir se seria realizada uma parceria público-privada (PPP) ou a gestão da unidade seria entregue à uma OS.

Em audiência pública realizada em agosto de 2019, relatório feito por técnicos do hospital paulistano apontou que a unidade de Mato Grosso do Sul tem estrutura organizacional fraca e infraestrutura deficiente. Os técnicos apontam que a unidade não tem missão e visão coesas, possui choques sistêmicos e relações externas disfuncionais. Entre as recomendações, estão a mudança na governança, novas parcerias, adequações em setores do HR, metas de produtividade, entre outras. 

O Conselho Estadual de Saúde (CES) acompanha a situação do hospital de perto. Coordenadora do conselho local subordinado ao CES, Neide Eliane Gordo disse ao Correio do Estado em dezembro que o grupo está acompanhando os diversos problemas que a unidade, como a eventual terceirização do HRMS e o número de mortes. “O conselho é contra colocar uma OS [organização social, da iniciativa privada] no hospital, porque já temos exemplos em outros estados e em Ponta Porã que esse modelo não dá certo”, afirmou. Em março, a SES trocou a OS responsável pelo Hospital Regional Dr. José de Simone Netto, em Ponta Porã, após a empresa anterior atrasar pagamentos de salários.

No mês de outubro, a Justiça determinou investigação de 1.140 mortes no Hospital Regional, entre 1º de fevereiro a 14 de outubro. Porém, servidores ouvidos pelo Correio do Estado no mesmo mês contestaram esse dado. “Em 2013 nós pegamos o hospital, até o meio do ano, em crise e fizemos uma auditoria geral, fizemos um monte de mudanças, e em 2014 começamos a colher fruto”, disse na época profissional da área que já atuou na direção do HRMS.

Nesse contexto, o diretor do HRMS, Márcio Eduardo Pereira, deixou o cargo após aderir ao Programa de Demissão Voluntária (PDV) do governo, em novembro. Pereira também justificou sua saída alegando que recebeu proposta de empresa privada e que não pode “refutar”. Em seu lugar, tomou posse a médica Rosana Leite.

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CORREIO DO ESTADO

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