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Avanços da década: 6 vezes que a ciência mostrou a que veio – 31/12/2019

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Hora de dar tchau para a década de 2010. A ciência avançou bastante nos últimos dez anos, e discussões que faziam parte da ficção científica —como a existência de robôs inteligentes e os mistérios dos buracos negros — são totalmente parte da realidade.

Dizer isso agora parece até óbvio, mas pense que dez anos trás você mal usava WhatsApp, Facebook estava só começando a mostrar a que veio e ninguém passava horas bolando uma foto para o Instagram.

Confira as principais descobertas que marcaram os últimos dez anos, segundo cientistas ouvidos pelos sites Phys.org e pela AFP.

Robôs passaram a aprender

O termo “inteligência artificial” designa a capacidade de uma máquina ou software de aprender comandos, e foi nesta década que a inteligência artificial bombou. Os robôs de hoje conseguem interpretar e cruzar dados (inclusive os nossos dados) para nos ajudar a trabalhar, pensar e decidir. Um exemplo já manjado são os assistentes de voz e os mecanismos de recomendações dentro dos aplicativos, como acontece no Spotify e Netflix.

As melhorias nos serviços que consumimos online também estão relacionadas à inteligência artificial. O Google Tradutor tem refinado as traduções textuais e por voz, e o reconhecimento facial do Facebook sugere quais amigos devemos marcar em uma foto.

Nos últimos anos, cientistas descobriram a aprendizagem profunda. “É a descoberta de que redes neurais artificiais poderiam se espelhar em muitas tarefas do mundo real”, disse Henry Kautz, professor de ciência da computação da Universidade de Rochester ao site americano Phys. Uma possibilidade futura é que os algoritmos aprendam a descobrir informações, analisá-las e agir sozinhos, sem depender de humanos para fornecer os dados —e sem vieses.

Novos planetas e vida em Marte

A missão Kepler foi lançada em 2009 pela Nasa e, ao longo da década, catalogou mais de 2.600 planetas fora do nosso sistema solar —os chamados exoplanetas. No ano passado a agência americana lançou o TESS, sucessor do satélite Kepler, para ampliar as descobertas.

Em agosto de 2012, o robô Curiosity da Nasa pousou em Marte e descobriu a evidência de rios há bilhões de anos no planeta. Perto de enviar um novo robô para o planeta em 2020, a Nasa registrou provas importantes de que não só rios, mas lagos e talvez oceanos tivessem constituído Marte.

Como a água foi um elemento determinante de desenvolvimento da vida na Terra, as evidências geográficas marcianas chamam atenção dos cientistas. A procura por vida continua e se intensificou desde 2014, quando o robô Curiosity encontrou moléculas orgânicas complexas, a base para a construção da vida como entendemos.

Os cientistas agora se voltam para a próxima pergunta: realmente houve vida em Marte? Dois novos robôs serão lançados em meados de 2020, o americano Mars 2020 e o europeu Rosalind Franklin, para, talvez, desenterrar micróbios antigos.

“A ciência espacial da próxima década será dominada pela Lua, por Marte e por asteroides”, diz Emily Lakdawalla, da Sociedade Planetária à AFP. Ela espera que as agências espaciais decidam explorar os limites esquecidos do Sistema Solar, Vênus, Urano e Netuno, até a década de 2030.

O que esperar da década que está prestes a começar? Análises finas da atmosfera desses exoplanetas para descobrir se há vida, sugere o diretor do Laboratório de Estudos Planetários da Universidade do Arizona, Tim Swindle.

Ondas gravitacionais e buraco negro

Outro marco aconteceu em 2015, quando foram detectadas pela primeira vez as ondas gravitacionais descritas por Albert Einstein na teoria da relatividade. As ondas são resultado de uma colisão de dois buracos negros um bilhão de anos antes do registro. Mas cosmólogos continuam a debater a origem e a composição do universo —a matéria escura invisível é um dos maiores segredos a desvendar.

Misteriosos, os buracos negros também são um assunto permanente para os cientistas do espaço. E graças a eles, o ano de 2019 teve um marco na história da humanidade: a divulgação da primeira imagem de um buraco negro.

“Até o final da próxima década estaremos fazendo filmes em tempo real e de alta qualidade de buracos negros que mostrem não só sua aparência, mas também como agem”, disse o diretor do projeto que fotografou o buraco negro, Shep Doeleman, à AFP. “Imagine ver um buraco negro evoluir em tempo real”, diz ele.

Quanto à origem e composição do Universo, os cosmólogos continuam a debater. A matéria escura e invisível, que constitui a grande maioria do Universo, ainda é um dos maiores enigmas existentes. “Estamos morrendo de vontade de saber o que é”, disse o cosmólogo James Peebles, vencedor do Prêmio Nobel de Física de 2019, em outubro.

Tesoura para picotar DNA

A biomedicina tem um marco que a divide entre a década passada e a atual. Isso se deve ao CRISPR, sigla que designa o processo de edição de um DNA. A técnica foi relatada em 2012, quando as cientistas Emmanuelle Charpentier e Jennifer Doudna afirmaram ter explorado um sistema imunológico bacteriano para compreender a modificação do código genético de outros organismos.

O processo CRISPR poderia eliminar doenças e criar bebês resistentes ao vírus do HIV, por exemplo —experimente que levou o cientista chinês que tentou isso à prisão. Porém, o limite ético é uma discussão ainda muito preliminar que envolve a descoberta.

“A modificação genética por Crispr lidera de longe”, disse William Kaelin, prêmio Nobel de Medicina 2019, quando questionado sobre as descobertas da década. Antes de Emmanuelle Charpentier e Jennifer Doudna descobrirem e manipularem um mecanismo molecular chamado Crispr/Cas9, modificar o genoma era uma tarefa trabalhosa e cara. O sistema que elas descreveram na revista “Science” em junho de 2012 é mais simples, mais eficiente e programável para cortar o DNA em um determinado local. “Imbatível”, resume Kiran Musunuru, da Universidade da Pensilvânia.

As duas pesquisadoras foram amplamente premiadas: Prêmio Breakthrough (2015), Prêmio Princesa das Astúrias de Pesquisa Científica (2015) e o Prêmio Kavli de Nanociências da Noruega (2018).

A técnica ainda está longe de ser infalível e temida por aprendizes de feiticeiros, como o cientista chinês que causou um escândalo ao testá-la em embriões humanos, apesar dos riscos. Mas o Crispr está agora em todos os laboratórios. William Kaelin prevê uma “explosão” de seu uso para curar doenças.

Nova forma de combater o câncer

Os tratamentos de câncer incluem cirurgias, medicamentos quimioterápicos e radioterapia. Na última década, no entanto, um novo tipo de tratamento começou a se desenvolver. A chamada imunoterapia utiliza células do sistema imunológico que, depois de coletadas do sangue do paciente, são modificadas e recolocadas no corpo. Além disso, novos medicamentos têm surgido desde meados de 2010.

A técnica mais avançada é chamada CAR-T e modifica geneticamente os linfócitos T antes de reintroduzi-los em grandes quantidades no corpo, melhor armados. O princípio é tratar os glóbulos brancos que formam o sistema imunológico para que eles detectem e ataquem as células cancerígenas, uma vez que o câncer é um especialista em permanecer incógnito no corpo.

Para o diretor científico da Sociedade Americana do Câncer, William Cance, a diversidade de novos tratamentos mostra que a próxima década poderá trazer terapias “melhores e mais baratas” do que as que temos agora.

Descoberta de um antepassado

Em 2010, cientistas analisaram o DNA de um osso e um dente da região da Sibéria e descobriram uma diferença dos humanos modernos e dos neandertais. O humanoide não fazia parte de nenhum grupo de antepassados conhecidos até então. Assim foram descobertos os denisovanos (ou “hominídeos de Denisova”), nomeados como a caverna de Denisova, na região siberiana.

A partir da novidade, cientistas descobriram que o Homo sapiens produziu descendentes com os neandertais. Além disso, ficou comprovado que os neandertais realizavam arte rupestre, usavam joias e enterravam seus mortos com flores, assim como a humanidade de hoje. “Essas descobertas levaram a uma revolução nos estudos da evolução humana como nunca antes”, disse Vagheesh Narasimhan, geneticista da escola de medicina de Harvard.

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