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Atendimentos online da Covid-19 viralizam, mas não substituem ida ao médico – 22/03/2020

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Tosse, nariz tapado, escarro. Muitas pessoas com sintomas como os citados têm se preocupado sobre estar ou não com o novo coronavírus. E com a recomendação de procurar hospitais apenas em alguns casos, muitos ficam em dúvida se devem ou não ir ao médico para um diagnóstico mais preciso.

Assim, alguns sites e aplicativos com triagens online têm viralizado nas redes sociais e em grupos de WhatsApp, como o caren.app, o CoronaBR e o Coronavírus Sus, do Ministério da Saúde. Mas será que as informações que eles passam são confiáveis?

O Caren, por exemplo, pergunta ao usuário se ele está sentindo febre; sintomas como tosse, nariz tapado, falta de ar, vômitos; se tem 60 anos ou mais; se possui doença crônica; se teve contato com alguém que viajou para fora do país ou se viajou para fora do país, ente outras. O CoronaBR possui um enfermeiro virtual que faz perguntas parecidas com as do Caren.

Ao final dos questionamentos, o usuário recebe um diagnóstico e a recomendação para ir, ou não, ao pronto-socorro. Para chegar à conclusão, os aplicativos utilizam o conceito de árvores de respostas, casando o que os usuários respondem com algumas orientações médicas.

Para o médico infectologista Evaldo Stanislau, do Hospital das Clínicas de São Paulo, o problema é que as informações já estão desatualizadas.

“Estão completamente desatualizadas (as perguntas). O Brasil já e um país com circulação em território nacional, não precisava viajar para lugar nenhum, basta ser brasileiro para poder estar contaminado”, diz o médico infectologista Evaldo Stanislau, do Hospital das Clínicas de São Paulo.

“Não tem história de ‘foi para exterior’, não tem mais a história ‘ter contato ou não com contaminados’. A partir de agora, qualquer sintoma de gripe é considerado potencial para a Covid-19”, completa.

Caren.app

Imagem: Reprodução

Já Eliie Fiss, médico pneumologista do hospital alemão Oswaldo Cruz e da Faculdade de Medicina do ABC, as perguntas relacionadas ao contato com quem estava fora do país devem ser mantidas.

“Ainda acho que tem que manter esse tipo de pergunta porque os aeroportos ainda não foram fechados. Para os Estados Unidos, por exemplo, ainda está aberto”, diz.

Mas, o pneumologista afirma que as pessoas devem tomar cuidado para não entrarem em pânico após o diagnóstico pelos aplicativos.

Coronavirus SUS - Divulgação

Coronavirus SUS

Imagem: Divulgação

“Eles (aplicativos) não podem fazer pânico. Não entrei em detalhes, mas tem tantos aplicativos vindo e aparecendo sobre o coronavírus, que alguns até não olhei. Eu avaliei alguns que estão um pouco alarmistas. Se ele indicar ir para o pronto-socorro por alguns sintomas como febre, falta de ar e tosse, febre e tosse, tudo bem. Mas, se não tiver com pelo menos dois sintomas ou sem febre, o paciente não deve ir ao hospital”, afirma.

O infectologista do Hospital das Clínicas segue a mesma linha. “As pessoas vão se assustar e dizer: ‘quer dizer que se estou espirrando é coronavírus?’ Sim, provavelmente é. Mas não muda o que a gente já falou: para 80% das pessoas, ele vai se manifestar como uma gripe comum”.

Evaldo Stanislau faz uma ressalva quanto ao aplicativo do Ministério da Saúde, o Coronavírus SUS (disponível para Android e iOS). Ele destaca que as pessoas conseguem muitas informações importantes nele, como os hospitais e postos de saúde mais próximos à localização do usuário.

Tilt entrou em contato com o Ministério da Saúde, que afirmou que o aplicativo está sendo atualizado para manter os usuários informados sobre as recentes alterações relacionadas à Covid-19. Além disso, a comunicação do ministério confirmou melhorias nas funcionalidades, já que a procura muito grande deixou o app sobrecarregado. Mas, não soube confirmar a data que as novidades entrarão no ar.

A reportagem entrou em contato com CoronaBR e Caren.app para falar sobre o funcionamento e possíveis atualizações nos aplicativos, mas até o momento não obteve retorno.

Telemedicina

Para evitar que as pessoas saiam às ruas e espalhem ainda mais o novo coronavírus, a telemedicina é uma alternativa. Assim, os pacientes podem fazer uma espécie de conferência com os médicos, ou seja, uma consulta em tempo real e em vídeo.

Para Ellie Fiss, a telemedicina é uma alternativa melhor que os aplicativos por colocar o paciente diretamente em contato com os médicos. “O contato com seu médico vai prevalecer muito mais que qualquer outra coisa. Alguns hospitais e clínicas já estão disponibilizando a telemedicina. Utilizá-la é muito mais confiável”, diz.

“As pessoas de mais idade que estão com doença crônica ou gripal podem se orientar pela telemedicina e ir talvez na saúde da família, mas não no pronto-socorro”, completa o infectologista Evaldo Stanislau.

Seguindo essa linha de telemedicina, o site Doctoralia anunciou que o lançamento de uma plataforma para realizar o pré-atendimento virtual gratuito.

“Com o compromisso de tornar a experiência em saúde mais humana e contribuir com o sistema de saúde público diante das recentes notícias da pandemia do Coronavírus, a Doctoralia libera uma solução para especialistas de saúde fazerem uma triagem de seus pacientes a partir de videoconferência. A partir desta ação, os pré-atendimentos, antes realizados em locais de alta circulação de pessoas, serão feitos remotamente, promovendo a segurança do enfermo e da sociedade como um todo”, diz o site.

Para agendar uma consulta, os pacientes com sintomas devem acessar a plataforma Doctralia e agendar com um dos profissionais cadastrados. Segundo o site, o médico poderá realizar a consulta por meio da própria plataforma, mantendo a privacidade dos dados.

“Essa solução contribui para a segurança física do paciente, pois evita o deslocamento e exposição até uma Unidade de Saúde. Além disso, a ferramenta segue o padrão americano de criptografia avançada AES e está de acordo com a GDPR [a lei de dados europeia], garantindo também a segurança das informações”, diz o site.

Outra solução foi anunciada nesta sexta-feira (20) pela startup de inteligência artificial Laura. A empresa afirma que a partir do dia 30 de março colocará à disposição dos hospitais públicos uma plataforma chamada Laura PA Digital, que oferecerá uma triagem digital aos pacientes e orientar a ida ao hospital em caso de necessidade, seguindo parâmetros da Organização Mundial da Saúde e do Ministério da Saúde.

“Com os dados da Triagem Virtual, os pronto-atendimentos terão acesso a uma plataforma digital que permitirá a previsão de demanda por Covid-19, isto é, quantos e quais pacientes já estão a caminho para o atendimento e se há sinais de gravidade relatados”, afirma a startup.

A ideia da Laura é contribuir com a otimização dos recursos de saúde e ajudar para que os hospitais não fiquem sobrecarregados.

“Essa solução terá um impacto muito relevante para evitar que os pronto-atendimentos fiquem saturados e que sejam foco de contaminação. Precisamos agora promover a tranquilização das pessoas e usar a inteligência na gestão dos recursos de saúde disponíveis”, afirma Cristian Rocha, executivo-chefe da Laura.

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